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Vida de "fantasma"

...Eu sei que o sorriso dele é tímido e que seu som é quase imperceptível, não costuma bater forte sempre, aliás só bateu forte poucas vezes até onde eu me lembro, eu só queria sentir ele de novo, falar um oi, ver suas cicatrizes mais uma vez e contá-las no dedo. Não preciso o ter por muito tempo, só por alguns minutos, só até ele fazer pulsar esse sangue parado que apodrece nas minhas veias. Meus músculos doem, mesmo em constante movimento, a falta de batida em meu peito faz com que meu sofrimento seja ainda maior. Agora sou um fantasma, que vaga pela noite a procura de satisfações momentâneas, de batidas que não são minhas(como poderia ser? Fantasma não tem coração), por coragem pra poder enfrentar a segunda morte, pela esperança de me sentir vivo de novo. Aliás que lindo essa palavra, Esperança, queria pode acreditar que ela existe, e não me entregar a amargura de uma segunda morte certa, mas se estivesse vivo faria dessa palavra meu nome, a desenharia na parede do meu quarto, escreveria um livro com esse título, e colocaria até no nome dos meus filhos, pra eu não esquecer que ainda respiro, que meu coração ainda está aqui comigo. Mas sou um fantasma, isso não importa mais, a Esperança se perdeu junto com meu coração, acho que estão juntos numa mala viajando por aí, longe do meu alcance. O que me resta é a apenas decepção de ter perdido ambos tão cedo, a Esperança e o meu coração.

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