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Brincadeira de criança

Estava atravessando um galpão cheio de prateleiras e estantes, meu objetivo era assustar o filho do meu patrão( Lucas ) que se divertia no computador da loja. Era quase uma tradição assustar um ao outro sempre pintasse a oportunidade, e o dia estava perfeito pra isso. Fui me aproximando, e quando cheguei atrás dele, em silêncio agarrei sua perna e com um grito selvagem finalizei a brincadeira.
Não era uma brincadeira saudável, mas não deixava de ser uma brincadeira, e depois do susto o pobre coitado nunca mais quis brincar de assustar, e se manteve o mais distante possível da minha sala.
Duas semanas após o ocorrido estava na minha sala, viajando na maionese, distante desse mundo, até quando um som chamou minha atenção. Escutei risadas altas de criança se aproximando, estranhei por escutar tão alto, pois estava sozinho até então e a porta estava fechada. A primeira pessoa que pensei foi o Lucas "aquele moleque levado quer me dar o troco".
Me escondi no meio de uma prateleira escura e esperei o travesso aparecer, porém as risadas se afastaram, e o silêncio dominou minha sala novamente. Sai do meu esconderijo para investigar o paradeiro do garoto, e após vasculhar cada canto escuro, não achei nada além de teias de aranha e caixas velhas. Quando estava quase desistindo escutei as risadas novamente, vindo perto do computador onde eu havia assustado. Ao me aproximar do local, vi um menino se espreitando em umas das estantes, mas ele não parecia com o Lucas, ele era pardo e o Lucas branco feito leite. Fui me aproximando cada vez mais até chegar na estante, e me arrepiei quando escutei as risadas a minha frente, mas não havia ninguém lá sorrindo.
Não consegui acreditar que aquilo estava acontecendo, e o que mais me deixou assustado foi as risadas se afastarem em direção à porta, e a porta se abrindo sozinha. Acompanhei as risadas até a minha sala onde elas pararam, e o silêncio voltou a cortar o ar.
Essa foi a primeira aparição do garoto que ficou mais frequente com o passar dos dias. Sua sombra passou a me acompanhar, e suas risadas me tirava da solidão. Quando estava triste ele me consolava, e adorava me ouvir cantar. Ele ficou comigo por um bom tempo, e só parou de aparecer quando me mostrou como tinha sido sua morte, que foi muito triste e me fez chorar por uns 10 minutos, mas o que me deixou mais triste foi o fato dele nunca mais aparecer, e me deixar sozinho de novo.

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